25 de abril de 2012

Lavagem Cerebral!

O Perigo dos Falsos Ensinamentos


Por Beth Michel

Não tenho o hábito de falar sobre coisas com as quais não tenho intimidade e/ou conhecimento, mas neste caso faço uma exceção, pois o fato vai além da ciência, crença, ou conhecimento. Esta “coisa” já faz parte do dia-a-dia de todos nós. Basta ligar a televisão, passar por uma praça, ou até atender um visitante inoportuno numa manhã de domingo, que lá está a mesma cantilena.

Abre-se um blog e lá vem o mesmo papo de novo, e também nos jornais e revistas; no teatro, cinema, rádios, carros de som e até na música “popular” em re-make, está escrita nos vidros dos carros e ônibus, nas cadeias e nos hospitais... Até mesmo nos palanques políticos e nos discursos de governos ditos democráticos e laicos.

Para onde quer que a gente se vire e vê ou escuta a “coisa” sempre de maneira bombástica e iniludível. Não existe forma de escapar! Acaba virando uma espécie de mantra que se repete sem querer, principalmente quando se é jovem e enfraquecido pela total falta de perspectivas. Do que estou falando? Será que ainda não perceberam? Estou falando das religiões – todas elas – mas em especial aquelas criadas sem nenhuma base teológica ou com certa ética adquirida pela tradição, ou aquelas que são movidas pelo fanatismo irracional.

Leiam alguns trechos da carta deixada pelo assassino/suicida de Realengo e me digam se ela é o não fruto da Lavagem Cerebral religiosa - a que todos nós somos, sistematicamente, submetidos! E depois podem começar a se apegar a qualquer tábua de salvação para que você não seja a próxima vítima , seja como assassinado, seja como assassino – não sei o que é o pior...



 O atirador Wellington Menezes de Oliveira, autor do massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, afirma, em uma carta que foi entregue pela polícia a jornalistas, que os impuros não poderão tocar seu corpo sem luvas. Na carta, ele diz que quer ser despido, banhado e seco após sua morte, quando deverá ter o corpo envolto em um lençol branco.

Confira os trechos da carta:

"Primeiramente deverão saber que os impuros não poderão me tocar sem luvas, somente os castos ou os que perderam suas castidades após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem usar luvas, ou seja, nenhum fornicador ou adúltero poderá ter um contato direto comigo, nem nada que seja impuro poderá tocar em meu sangue, nenhum impuro pode ter contato direto com um virgem sem sua permissão, os que cuidarem de meu sepultamento deverão retirar toda a minha vestimenta, me banhar, me secar e me envolver totalmente despido em um lençol branco que está neste prédio, em uma bolsa que deixei na primeira sala do primeiro andar, após me envolverem neste lençol poderão me colocar em meu caixão. Se possível, quero ser sepultado ao lado da sepultura onde minha mãe dorme. Minha mãe se chama Dicéa Menezes de Oliveira e está sepultada no cemitério Murundu. Preciso de visita de um fiel seguidor de Deus em minha sepultura pelo menos uma vez, preciso que ele ore diante de minha sepultura pedindo o perdão de Deus pelo o que eu fiz rogando para que na sua vinda Jesus me desperte do sono da morte para a vida."



Beth Michel 
Escritora, Artista Plástica e Crítica Contemporânea
(Minha personal Miss Marple)

8 comentários:

Ivenio Hermes Jr disse...

Muito bom seu texto. Realmente seu ponto de vista é muito marcante, e tem os méritos baseados no montante de religiões e credos que se avolumam para se aproveitar das pessoas.
Fico bem a vontade em postar esse texto pois sei que a fé que professo não faz esse tipo de lavagem na mente das pessoas, pelo contrário, ela incentiva o estudo, o questionamento e paz entre as pessoas.

frostguts disse...

Ótimo texto. Também fico a vontade com seu artigo, pois sei que a fé que professo não faz acepção de pessoas, não faz lavagem cerebral, pelo contrário, incentiva o estudo e a crítica de nossos próprios hábitos, costumes e crenças.

Ana Alice disse...

Muito bom seu texto Beth. O Wellinton não teve a oportunidade de conhecer uma fé diferente e o fundamentasse nos princípios da igualdade que Cristo pregou aqui nessa terra. Eu sou adepta de uma fé que não corrompe e nem incentiva guerras e morte aos que não partilham da minha fé. Essa é a diferença que está no amor que Cristo nos ensinou.

Ellon Miranda disse...

Nem todas as religiões fazem lavagem cerebral, nem todas incomodam, concordo que muitas usam a fé das pessoas para se "dar bem", mas tem religiões que se importam, que não fazem essa coisa errada que esse rapaz foi vitima.

Suzie Glancy disse...

Beth,
Venho comentar algo sobre seu texto, nao porque discorde do que voce escreveu, mas porque gostaria de adicionar um outro detalhe:

As religioes, quaisquer que sejam, so podem exercer uma lavagem cerebral sobre um individuo que aceite a agressao! Nao ha como convencer uma pessoa de bom senso a por a mao num ninho de cobras! Com as religioes, o mesmo ocorre - a sociedade de hoje esta com preguica de pensar!!! Particularmente, eu creio que a TV esta formando mentes incapazes de exercer o bom senso, o tempo de atencao requerido para qualquer programa e' curto, geralmente pontilhado de intervalos com diversas propagandas, e o cidadao (pobre coitado) sente que nao tem muita escolha em termos de lazer. Nao pensa, nao escolhe, nao IMAGINA algo diferente - quer tudo pronto e mastigado para 'distrair' seu cerebro. Em todos os aspectos da vida, as pessoas estao pensando cada vez menos, e exercendo muito menos a sua capacidade de criticar (como em pensar criteriosamente) o que lhe e' apresentado! Diante desse quadro e' que algumas pessoas que se consideram religiosas resolvem sair e "pregar" sobre aquilo em que creem, quando na verdade estao falando sobre aquilo de que tem medo! Nem sequer cogitam que alguem possa lhes ter "ensinado" alguma mentira ou exagero. Enfim, a lavagem cerebral comeca com cada um, na minha opiniao...

Marinalva Pinheiro disse...

Beth, muito bom o seu texto, eu me sinto tranquila frente ao que escreve. Até mesmo porque a religião que professo jámais fará lavagem celebral em alguém. O caso Weelington pode ter sim uma influência de uma religião, mas não de todas. O que mais marca neste processo é a situação psicológica. A ciencia tem explicação para estes comprotamentos doentios.
Abraços.
Marinalva

Amadeu Epifanio disse...

Neste caso específico de realengo, como foi abordado, a religião pouco influenciou, direta ou indiretamente, visto que o problema do atirador Wellington não era religião e sim a esquizofrenia herdada de sua mãe e que foi responsável por alimentar no rapaz o sentimento de humilhação passados desde à época em que estudou no mesmo colégio, quando sofreu bullying severamente, por meninas do mesmo colégio. Se fosse realmente a intenção dele de, do nada)sair matando crianças, ao adentrar à primeira sala de aula, ele à teria fechado e só alí já teria matado muito mais do que o total de vítimas. No entanto, ele não só deixou aberta a porta, como permitiu a saída de crianças, para que estas fossem chamar alguém (a polícia) para interromper o que ele mesmo não conseguia, em razão da doença. Muitos pais defendem seus filhos por seus delitos, por estarem sob efeito de drogas. Agora, um rapaz comete um crime, sob efeito da esquizofrenia, não mereceria ele ter o mesmo perdão ? Só porque não é seu filho ? Se nos propomos à julgar, devemos saber ser juízes.

Beth Michel disse...

O caso de Realengo foi apenas um exemplo (extremo) do que as religiões - ou melhor dito seitas que abundam e proliferam sem peias pno Brasil ( mas também em outros paises) podem induzir a pessoas fracas, com disturbios mentais ou de comportamento, a praticarem. E sem que possamos fazer nada a respeito. Se eu hoje resolver criar uma "igreja" que preque qualquer absurdo, posso fazê-lo despendendo pouco mais de R$ 200,00 (duzentos reais) e terei o direito de falar e fazer praticamente tudo, em nome da "liberdade de fé" - e com direito a não pagar tributos e até a mecredenciar a receber verbas particulares e públicas sem prestação de contas. Se o "deus" da minha "igreja" for um percevejo ou um elefante, ou até mesmo um objeto, é o que menos importa.
A única coisa que eu quis com este texto foi alertar às pessoas de bom senso e com alguma capacidade de dicernimento, e independente da fé que professem ou não, é que a nossa lei (laica) deixou brechas tais que a liberdade de culto se trasfomou em libertinagem legalizada. De nada adianta arguir que a minha fé ou a fé dos meus pais, ou até a do meu vizinho, tem principios e doutrinas baseados na busca do bem maior, se centenas de outras não o são e nós nos viramos a cara para o outro lado, como que diz: isso não é comigo, eu e a minha igreja não somos assim...
O problema que levantei não é de ordem religiosa e sim de ordem LEGAL e ÈTICA. O Brasil é um estado laico, e tem o dever de legislar a FAVOR de todos, e criar instrumentos para que aproveitadores (autóctonos ou não) não se provaleçam da nossa ainda imensa pobreza material e intelectual. Só isso!
Abraços atodos e grata pelos comentários.
Beth Michel

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